Epagri é protagonista na defesa das lavouras contra a cigarrinha-do-milho

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Um inseto de poucos milímetros causou prejuízos bilionários à produção de milho catarinense na safra 2020/21. Naquele ano, a colheita caiu para 1,8 milhão de toneladas, contra 2,8 milhões colhidas na safra anterior. Embora as perdas também incluam o impacto da estiagem, a grande responsável pela quebra foi a cigarrinha-do-milho. Esse inseto é vetor das doenças do complexo de
enfezamentos (enfezamento-vermelho, enfezamento-pálido e virose-da-risca), capazes de comprometer substancialmente as safras de milho.

Santa Catarina sai na frente no combate à cigarrinha-do-milho com sistema de monitoramento inédito no Brasil

A Epagri agiu rápido e de forma inovadora. Em setembro de 2020, realizou um ciclo de capacitações para técnicos e agricultores. E no início de 2021, criou o Comitê de Ação Contra a Cigarrinha-do-milho e Complexo de Enfezamentos, reunindo membros das seguintes instituições: Epagri, Udesc, Cidasc, Ocesc, Fetaesc, Faesc, CropLife Brasil e Secretaria de Estado da Agricultura.

Esse comitê implantou o Programa Monitora Milho SC, com o objetivo de acompanhar as populações e a infectividade da cigarrinha-do-milho no Estado. Para isso, uma malha de amostragem com 22 pontos de monitoramento foi instalada em lavouras de Santa Catarina.

Em cada lavoura monitorada, técnicos da Epagri e da Cidasc instalam quatro armadilhas nas bordas do milharal. As armadilhas são coletadas semanalmente e encaminhadas para o Laboratório de Fitossanidade da Epagri, em Chapecó, onde as amostras passam por testes moleculares. Relatórios semanais com dados de população do inseto-vetor e de infectividade são divulgados em redes sociais, páginas oficiais e outros canais de comunicação.

Essas informações ajudam agricultores e técnicos a tomar decisões sobre o manejo e verificar a eficiência das estratégias adotadas. Dentro das propriedades, a Epagri orienta sobre medidas de controle, como escolha de variedades de milho tolerantes aos enfezamentos, uso de sementes tratadas e redução da janela de semeadura. Outra ação importante é a campanha para a eliminação
do milho voluntário (guaxo ou tiguera), que se desenvolve na entressafra, servindo de abrigo para a cigarrinha.

Os relatórios da primeira safra de 2021/22 apontaram redução da população da cigarrinhado-milho em Santa Catarina. Esse monitoramento, somado ao comprometimento dos produtores e à adoção de boas práticas no campo, mostra que Santa Catarina está cada vez mais preparada para controlar o problema.

Monitoramento e manejo correto protegem as lavouras

Karin Voigt, de Canoinhas, mostra a armadilha instalada na lavoura de milho usada para o monitoramento

Imagine andar pela lavoura e encontrar nuvens de insetos que colocam em risco meses de trabalho. Foi isso que aconteceu na safrinha milho da família Voigt, em Canoinhas, no fim de 2021. Até então, os milharais da propriedade não tinham sido atacados pela cigarrinha-do-milho, mas a agricultora Karin já conhecia bem o perigo do inseto. “Ficamos desesperados porque conhecemos
agricultores que perderam a roça inteira por causa da cigarrinha”, conta.

A família procurou ajuda da Epagri, que orientou sobre o controle do problema e ainda instalou armadilhas na lavoura, fazendo do local um dos 22 pontos de monitoramento da cigarrinha-do-milho no Estado. “Eles vêm aqui toda semana para trocar as armadilhas e a gente fica bem mais tranquila em saber que tem ajuda para Monitoramento e manejo correto protegem as lavouras catarinenses controlar esse problema”, diz Karin.

A lavoura de 6 hectares se desenvolveu bem e vai servir de silagem para alimentar os 43 animais que a família cria para produção leiteira. “Para o manejo das vacas leiteiras na propriedade, o milho é o item mais importante. Nós conseguimos, através do plantio, ter a maior parte da alimentação do rebanho produzida aqui, diminuindo o custo de produção”, explica a agricultora.

O controle da cigarrinha-do-milho precisa ser feito de forma coletiva, e a comunidade de Taunay, onde a família Voigt mora, tem participação nos bons resultados. “Nossa comunidade é bem preocupada e cuida bastante para não sobrar um pé de milho depois da colheita. Com apoio de todos, estamos conseguindo produzir”, diz Karin.

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