Estimativa de alta na produção catarinense de grãos é destaque no Boletim Agropecuário de novembro

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Os grãos são as estrelas do Boletim Agropecuário de novembro. Segundo análise da Epagri/Cepa, se o tempo continuar ajudando Santa Catarina deve ter uma primeira safra de feijão 2021/22 excepcional, com aumento de 33% na produção. O milho deve recuperar a produção perdida pela estiagem no ano passado e a soja deve crescer 11,18% na primeira safra 2021/22. Segue a previsão de dobrar a safra de trigo em Santa Catarina.

O Boletim Agropecuário é emitido mensalmente pela Epagri/Cepa com a análise o desempenho das principais cadeias produtivas do agronegócio catarinense.

A safra do feijão deve ser excepcional no Estado (Foto: Aires Mariga / Epagri)

Feijão

Se tudo correr bem, Santa Catarina deve ter uma primeira safra de feijão 2021/22 excepcional, tanto em quantidade como em qualidade, com aumento de 33% na produção, passando de 56,5 mil toneladas, para 75,2 mil toneladas, segundo estima a Epagri/Cepa. O bom resultado será reflexo do aumento esperado de 30% na produtividade média das lavouras, passando dos 1.707 kg/h obtidos na safra passada, para atuais 2.217kg/ha. Com relação à área plantada, houve pequeno crescimento de 2%.

O mercado de feijão segue estável, com expectativa de que os preços se mantenham nos atuais patamares durante novembro e dezembro.

Milho

Caso o cenário de chuvas regulares no Estado se mantenha até janeiro de 2022, Santa Catarina deve produzir 2,7 milhões de toneladas de milho na safra 2021/22, uma boa recuperação diante do ciclo agrícola anterior, onde o clima derrubou a produção total para 1,8 milhão de toneladas. Até o momento, 92% da área de lavouras foi semeada e está em boa ou ótima condição de desenvolvimento.

Os preços ao produtor, média mensal em outubro, recuaram 7,7% em relação a setembro. Contribuem para essa redução o volume das exportações até setembro, a expectativa de aumento da área e produção da safra 2021/2022 e a disponibilidade regional de trigo para produção de rações. A expectativa é de que em 2022 o suprimento interno do cereal seja maior do que em 2021, com ajustes dos preços.

Trigo

No Boletim Agropecuário de novembro a Epagri/Cepa reafirma a expectativa de Santa Catarina dobrar a produção de trigo na safra 2021/22. Os cálculos atualizados apontam para um aumento de 103% em relação a 2020/21, impulsionado pelo aumento de 77% na área plantada e de 15% na produtividade média. Até a última semana de outubro, 28,53% da área destinada à triticultura no estado já havia sido colhida. Em função do excesso de chuvas, o ritmo de colheita foi reduzido em algumas regiões.

Em outubro de 2021 os produtores catarinenses de trigo estavam recebendo, em média, 26,04% a mais do que no mesmo mês do ano passado.

Soja

Santa Catarina deve colher 2,62 milhões de toneladas de soja na primeira safra 2021/22, volume 11,18% superior ao ciclo agrícola anterior. O crescimento se deve à recuperação de produtividade e aumento de 4% na área plantada.

Os preços pagos ao produtor estão sendo pressionados para baixo, forçados pelo prognóstico de aumento de área de cultivo no Brasil, colheita da safra dos Estados Unidos e demanda indefinida da China.

Arroz

Segundo estimativas da Epagri/Cepa, a safra catarinense 2021/22 de arroz de ser de 1,22 milhão de tonelada, volume 2,17% menor do que o colhido no ciclo agrícola anterior. O cenário é resultado da esperada queda na produtividade, de 8,4 t/ha obtidos na safra passada, para 8,3 t/ha na safra atual. A luminosidade é essencial para esta cultura e o baixo número de horas de luz solar em outubro pode comprometer a produtividade do arroz catarinense.

Os preços médios pagos aos rizicultores catarinenses em outubro tiveram redução de 2,07% em relação a setembro, fechando o mês em R$71,88 pagos pela saca de 50kg. Em termos reais, quando se considera a inflação no período, a média de outubro de 2021 foi 31,58% inferior à de outubro de 2020, quando o preço real chegou a R$105,06 a saca de 50kg.

Suíno

De janeiro a outubro, Santa Catarina exportou 489,69 mil toneladas de carne suína, com receitas de US$1,20 bilhão, altas de 12,4% e 24,4%, respectivamente, em relação ao mesmo período de 2020. Santa Catarina respondeu por 53,0% das receitas e 51,4% do volume de carne suína exportada pelo Brasil este ano.

Em outubro, o Estado exportou 51,38 mil toneladas de carne suína (in natura, industrializada e miúdos), queda de 11% em relação ao mês anterior, mas alta de 10,7% em relação a outubro de 2020. As receitas foram de US$117,09 milhões, -14,1% em relação ao mês anterior e alta de 8,5% na comparação com outubro de 2020.

Frango

Santa Catarina registrou um aumento de 20,3% no valor exportado de frango entre janeiro e outubro de 2021, na comparação com o mesmo período do ano passado. Nos primeiros dez meses do ano foram exportadas pelo Estado 855,02 mil toneladas da proteína, com receitas de US$1,51 bilhão. No período, Santa Catarina respondeu por 24,4% das receitas geradas pelas exportações brasileiras de carne de frango

Em outubro, Santa Catarina exportou 90,90 mil toneladas de carne de frango (in natura e industrializada), queda de 11,6% em relação ao mês anterior, mas alta de 23,7% na comparação com outubro de 2020. As receitas foram de US$171,91 milhões, -8,3% em relação ao mês anterior e alta de 57,5% na comparação com outubro de 2020.

Bovinos

Nas primeiras semanas de novembro, o preço médio estadual do boi gordo foi de R$291,82 a arroba, queda de 3,9% em relação ao mês anterior. Também foram registradas quedas nos preços dos animais de reposição, com variações de -3,6% no caso dos bezerros de até um ano e de -2,9% para os novilhos de um a dois anos. Esses movimentos de queda são decorrentes da paralisação das exportações para a China, em função da detecção de dois casos atípicos da doença conhecida por “vaca louca”, e da demanda desaquecida no mercado interno.

Contudo, a expectativa é de que nas próximas semanas se observe uma recuperação no mercado, em função do aumento sazonal da demanda e da menor disponibilidade de animais prontos para abate nesse período.

Leite

O desempenho da produção leiteira nacional piorou significativamente no terceiro trimestre de 2021, é o que mostram dados preliminares apurados pela Epagri/Cepa. Mesmo assim, em face da fraca demanda, os preços internos seguem em queda. Segundo os levantamentos iniciais, o preço médio recebido pelos produtores catarinenses no mês de novembro deve ficar 18 centavos abaixo da média de outubro.

Alho

A safra catarinense de alho 2021/22 está com plantio encerrado, se desenvolvendo normalmente em todas as regiões produtoras. A condição das lavouras é considerada boa até o momento. A área planta é de 1.758 hectares, crescimento de 2,32% em relação à estimativa de julho.

Em setembro de 2021 foram importadas 2,53 mil toneladas de alho, o menor volume para o mês nos últimos cinco anos. De janeiro a setembro deste ano, as importações somam 105.87 mil toneladas, enquanto que no mesmo período do ano de 2020 o volume importado foi de 141,45 mil toneladas, redução de 33,60% no período.

Cebola

A Epagri/Cepa ainda mantém a expectativa de que Santa Catarina produza pouco mais de 500 mil toneladas de cebola na safra 2021/22. Porém, as chuvas prolongadas de novembro podem afetar essa previsão, já que há relatos de ocorrência de doenças no campo. Se o cenário de patologia se confirmar, os produtores terão aumento no custo de produção que, associado à conjuntura de preços baixos, pode afetar o desempenho da safra e o retorno econômico aos produtores. Questão para ser avaliada nas próximas semanas.

Os volumes importados de janeiro a setembro deste ano somam 115,07 mil toneladas, contra 194.777 no mesmo período do ano passado.

Banana

Entre janeiro e outubro Santa Catarina foi responsável por 41,6% de toda a banana exportada pelo Brasil, aumento de 5% em relação ao mesmo período de 2020. O valor negociado foi de US$ 11,4 milhões, aumento de 14,8% em relação a 2020 e queda de 4,5% na comparação com 2019.

No mercado interno, a banana catarinense enfrentou desvalorização nas cotações entre setembro e outubro, tanto da variedade caturra quanto da prata. A queda de preços reflete a concorrência com bananas de outras regiões e com outras frutas da estação.

Maçã

Os preços da maçã catarinense no mercado estadual valorizaram entre setembro e outubro, seguindo tendência de recuperação. O aumento de valores é resultado da estratégia de escoamento dos estoques para exportação e redução de estoque no mercado interno.

Entre janeiro e outubro, o Estado participou com 16% do volume e 14,3% do valor das exportações, com ampliação da quantidade exportada na comparação com 2020. N caso do suco de maçã, Santa Catarina participa com 84,5% da quantidade líquida brasileira e 87,4% do valor negociado neste ano.

Confira AQUI a íntegra do Boletim Agropecuário de novembro

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Gisele Dias, jornalista
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