Ventos em SC: tempestades ou ciclone?

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Imagem do satélite (GOES-16), em 30/06/2020, às 14:50h (hora local). (Fonte: CPTEC/INPE)

Depois de estudar o fenômeno que ocorreu em Santa Catarina no dia 30 de junho, meteorologista da Epagri/Ciram concluíram que foram as tempestades que provocaram ventos de mais de 100 km/h em alguns municípios de SC, antes da passagem ciclone (ventos pela diferença de pressão) do que atuou principalmente no Sul e Litoral do Estado, no dia seguinte (1 de julho), com ventos de menor intensidade.

“Ventos intensos ocorrem em tempestades, em curto intervalo de tempo, ou em fortes gradientes de pressão em período prolongado. Os ventos de tempestade estão associados a correntes de ar ascendentes e descendentes, em uma nuvem de formação rápida, e apresentam maior potencial para destruição”, explica a nota meteorológica.

Desde a manhã do dia 30, uma baixa pressão no Oeste de SC provocou um forte gradiente de pressão na região e no Meio-Oeste, que resultou em intensos e persistentes ventos de norte, intensificando-se entre 9h e 14h, com rajadas superiores a 60 km/h em Chapecó. Nas horas seguintes, uma frente fria formou-se e avançou rapidamente por SC, quando as tempestades (ventos intensos, chuva, raios e granizo) deslocaram-se do Planalto em direção ao Vale do Itajaí e Litoral, entre 14h e 17h, organizadas em uma extensa linha de instabilidade. Em Rancho Queimado, por exemplo, o temporal formou rajada de 109 km/h.

A nota dos meteorologistas explica que em uma atmosfera com grande instabilidade, pode ocorrer a formação de “linhas de temporais organizados”. Esse evento diferencia-se, em relação a outros, principalmente pela extensão da linha, que afetou uma grande área do Estado, e que pode ter influência tanto da frente fria como da baixa pressão no oeste catarinense.

A partir da noite do dia 30, o ciclone extratropical passou a influenciar SC, em especial o Sul do Estado, onde os ventos de oeste foram mais intensos e persistentes na madrugada e manhã do dia 1. Em Rancho Queimado, observam-se rajadas persistentes, entre 60km/h e quase 100km/h nesse período.

Em associação às tempestades, na tarde do dia 30, há possíveis eventos de microexplosão, registrados em fotos e vídeos, em localidades como Chapecó, Florianópolis e Corupá, os quais serão avaliados posteriormente. A rede de dados monitorados na Epagri/Ciram e a rede de radares meteorológicos têm importante papel em estudos a serem realizados sobre as tempestades que atingiram SC nesse evento, que está entre os de maior impacto com destruição no Estado.

Confira a nota na íntegra, com imagens explicativas e tabela de ventos, no site da Epagri/Ciram.

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