Epagri tem boas estimativas para safra de verão 2020/21

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A Epagri realizou na tarde da terça-feira, 15, evento on-line para apresentar as estimativas para a safra de verão 2020/21 em Santa Catarina. Esse ano a apresentação teve novidades, com a inclusão da maçã, da banana e da mandioca, e também da previsão climática para os próximos três meses. De modo geral, a indicação é de crescimento nas principais culturas agrícolas do Estado, na comparação com o ciclo 2019/20.

A tendência de confirmação do La Niña na primavera foi o destaque da apresentação de Gilsânia Cruz, meteorologista do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de SC (Epagri/Ciram). Ela informou que, em decorrência do fenômeno, a previsão climática para setembro, outubro e novembro indica chuva variando entre normal a abaixo da média, com distribuição irregular no tempo e no espaço. A temperatura deve ficar acima do normal para o período. 

Algumas características vão marcar a próxima safra de verão, entre elas o mercado aquecido para as principais culturas. O aumento do recurso disponível para a safra e a redução dos juros também foram ressaltados pela analista, que chamou atenção ainda para a elevação dos custos de produção, causada pelo impacto do dólar alto nos produtos que utilizam insumos importados.

Grãos

Área plantada do milho silagem vem crescendo à taxa média de 13,6% ao ano

Se as estimativas se confirmarem, o arroz deve chegar ao final da safra 2020/21 com uma produtividade de 8.048 kg/ha, queda de -4,09% em relação ao último ciclo agrícola. O total produzido esperado é de 1.202.861t. Na safra 2019/20 o grão alcançou produtividade acima média, quando ficou em 8.391kg/ha.

O feijão primeira safra pode trazer surpresas, caso os preços pagos ao produtor permaneçam em alta. Segundo a Epagri/Cepa, essa cultura enfrenta média histórica de queda de -7,17% na área plantada a cada ano. Contudo, para safra 2020/21 a expectativa é de que a área plantada caia apenas -0,8% em relação ao período anterior. Se o cenário se confirmar, a quantidade produzida do grão deve chegar a 72.553t, volume 15,36% superior à safra 2019/20. A produtividade deve crescer 16,29% entre uma safra e outra.

A soja deve encerrar a safra de verão com uma produção de 2.456.005t, índice 7,02% maior que no ciclo 2019/20, mas ainda inferior à média de crescimento anual, que é de 10,85%. A produtividade desde crescer 6,87% entre uma safra e outra, encerrando o ciclo em 3.575kg/ha.

O milho grão primeira safra deve ter a área de plantio aumentada em 3,14%, o que contraria uma tendência histórica de queda média anual de -4,28%, espaço que vinha sendo perdido para a soja. Mais uma vez, a explicação é o preço elevado no mercado. Caso as expectativas se confirmem, o total produzido vai ficar em 2.827.170t, superando em 12,31% o total produzido no ciclo passado. A produtividade deve ser de 8.532Kg/ha, índice 8,9% maior que no ciclo 2019/20, o que representa uma recuperação de perdas da safra passada.

No caso do milho silagem, a área plantada vem crescendo historicamente à taxa média de 13,6% ao ano. A quantidade produzida deve ser 7,29% maior do que na safra 2019/20 e a produtividade vai crescer 5,93% neste período.

Hortaliças

É a primeira vez que mandioca entra nas estimativas da Epagri/Cepa

A batata deve enfrentar queda de -11,43% na quantidade produzida em relação à safra anterior, acompanhada de diminuição de -7,81% na área plantada. A produtividade do tubérculo deve cair -3,92% entre as duas safras.

Embora ainda ocupe uma área pequena, o tomate vem ganhando espaço no Estado, com crescimento médio anual 7,87% na área plantada. A quantidade produzida na próxima safra deve ficar em 149.388t, volume 5,19% maior do que o registrado em 2019/20. A produtividade vai sofrer uma pequena queda de -1,76%.

Para a próxima safra, a Epagri incluiu nas estimativas a mandioca indústria e de mesa. Como é a primeira vez que a safra será medida, não há dados comparativos com períodos anteriores. A mandioca indústria deve encerrar o ciclo com 149.617t produzidas em 6.525ha e produtividade de 22.801kg/ha. A mandioca de mesa vai ter área plantada de 8.345ha, que devem produzir 162.236t, num índice de produtividade de 19.441Kg/ha.

Frutas

Crescimento na área plantada é destaque na maçã

A banana, uma importante cultura para agricultura familiar, tem 81% da produção estadual concentrada nas regiões Norte e Vale do Itajaí, contra 16% no Sul catarinense. Apresentou nos últimos anos uma taxa de crescimento na produção de 1,36% ao ano, aumento na produtividade média de 2,79% ao ano, com redução de 1,4% na área colhida.

Contudo, é previsto para a safra de verão 2020/21 reflexos dos efeitos do ciclone extratropical nas áreas em produção. Com muitas plantas tombadas ou arrancadas pelos ventos fortes ocorridos em junho, a expectativa de produção foi afetada, devido ao tempo necessário para o replantio e desenvolvimento de mudas (9 a 18 meses), ou adequações dos bananais para o desenvolvimento das plantas com a produção dos cachos com a qualidade requerida para a comercialização no mercado (4 a 11 meses).

As estimativas iniciais para condições normais dos bananais previam uma área em produção de 28 mil hectares e produtividade de 27 mil quilos por hectares. Porém, os efeitos do ciclone derrubaram a expectativa de produção, que agora é de redução de mais de 18% dos valores estimados para 2020/21.

Em Santa Catarina, 85% da produção de maçã está concentrada na região Serrana, que é representada na sua maioria por produtores familiares, e 14% na região de Joaçaba, com maior participação de empresas produtoras da fruta.

Nos últimos anos, a taxa de crescimento da área em produção foi de 2,5% ao ano, com redução média de 0,5% na produtividade devido a erradicação, adequação ou implantação de novas áreas de produção. A produção de maçã apresentou crescimento de 1,97% ao ano.

Nas estimativas iniciais para 2020/21 haverá aumento na área colhida e na produção em relação à safra anterior, que teve a produção afetada pela estiagem. Com produtividade média estimada em 37 mil kg/há, a produção pode chegar a mais de 650 mil toneladas, devido a mais horas de frio no desenvolvimento das frutas e mais insolação esperada para os próximos meses.

Tabaco

O tabaco vai experimentar aumento de 3,89% na quantidade produzida e de 1,54% na produtividade na comparação entre as duas safras. As taxas significam uma recuperação das perdas verificadas no ciclo 2019/20.

Informações e entrevistas

· Previsão climática: Gilsânia Cruz, meteorologista da Epagri/Ciram, pelo fone (48) 3665-5007
· Previsão de grãos: Haroldo Tavares Elias, analista de socioeconomia da Epagri/Cepa, pelo fone (48) 99618-5006
· Previsão de hortaliças e tabaco: Jurandi Teodoro Gugel, analista de socioeconomia da Epagri/Cepa, pelo fone (48) 99695-5139
· Previsão de frutas: Rogério Goulart Junior, analista de socioeconomia da Epagri/Cepa, pelo fone (48) 99971-3991

Informações para a imprensa
Gisele Dias, jornalista, pelo fone (48) 99989-2992

Conheça o mais recente cultivar de feijão lançado pela Epagri: