Preços e exportações contrastantes marcam o Boletim Agropecuário de janeiro

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Valor do feijão-preto aumentou 96% em um ano

O Boletim Agropecuário de janeiro revela contrastes. A elevação dos preços pagos ao produtor de feijão se contrapõe à queda de valores no milho, soja e trigo. Da mesma forma, a expressiva elevação das exportações de carne suína em 2020 contrasta com a queda nas vendas de frango para o exterior. O Boletim Agropecuário é emitido mensalmente pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa) com a análise das principais cadeias produtivas agrícolas catarinenses.

Grãos

Em dezembro, os produtores de feijão-preto em Santa Catarina receberam valores 96,14% maiores do que os praticados no mesmo mês do ano anterior. Em relação a novembro, a elevação foi de 3,82%. No caso do feijão-carioca, o preço médio mensal pago aos produtores de em dezembro teve aumento de 1,75% em relação a novembro. Na comparação com dezembro de 2019, o preço do feijão-carioca valorizou cerca de 39%.

Já o preço do milho recuou 4,7% em dezembro em relação ao mês anterior, com valor de R$71,57 pela saca de 60kg. No entanto, em janeiro o movimento de alta já está sendo retomado. A tendência é de sustentação dos preços no primeiro semestre no mercado interno, com demanda interna aquecida em função das exportações de carnes e demanda interna. Em função da estiagem, a safra segue com maiores perdas no Oeste. No Planaltos Sul e Norte a safra se encontra em bom desenvolvimento com o retorno das chuvas regulares desde novembro

Após cinco meses de altas consecutivas, os preços da soja apresentaram recuo de 9,9% em dezembro frente a novembro. Mesmo assim, em 2020 a alta nos preços foi de 44,5%, batendo recordes nominais e em valores corrigidos desde 2014. A estimativa atual indica o cultivo de 660,24 mil hectares de soja no estado na primeira safra, com produção estimada de 2,31 milhões de toneladas. Houve atraso no plantio com a estiagem de setembro e outubro, no entanto, após o retorno das chuvas de maneira mais regular, as lavouras estão com bom desenvolvimento, indicando uma boa safra, considerando as condições adversas no início da implantação.

Os levantamentos da Epagri/Cepa mostram que o preço médio pago ao produtor de trigo catarinense caiu 10,68%, em dezembro. Com o fim da colheita, muitos compradores estão atentos, na expectativa de que os preços fiquem mais atrativos. Mesmo com a baixa procura dos compradores, os preços se mantiveram em patamares superiores aos praticados na temporada passada. Em termos nominais, no mercado catarinense esse valor é cerca de 67,7% superior ao que foi pago no mesmo período do ano passado.

Os preços do arroz iniciaram trajetória de queda. O início da colheita e aumento das importações no último mês de 2020 são algumas das explicações para este comportamento. O andamento da safra segue ritmo normal e a expectativa é de safra sem prejuízos significativos.

Pecuária

As exportações catarinenses de carne suína bateram recordes históricos em 2020. No ano que passou, foram embarcadas 523,39 mil toneladas, aumento de 25,26% em relação a 2019. As receitas, por sua vez, apresentaram incremento ainda mais expressivo: US$1,17 bilhão, alta de 35,3%. Para este ano, os analistas esperar crescimento de exportações entre 5% e 10%, acompanhada de crescimento da produção. Os analistas da Epagri/Cepa informam ainda que as incertezas em relação à recuperação da produção chinesa, juntamente com a elevação dos custos dos custos de produção, são os principais desafios que o setor suinícola deverá enfrentar em 2021.

Em 2020 Santa Catarina teve o pior resultado de exportações de carne de frango desde 2014. No ano que se encerrou, o Estado exportou 965,03 mil toneladas de carne de frango, 18,3% abaixo do que foi registrado em 2019. Nas receitas, a queda foi ainda mais expressiva, de US$1,50 bilhão, -26,9% em relação ao ano anterior, o pior resultado anual desde 2007. Para 2021 há expectativa de aumento de 3,6% na exportação da proteína, nas projeções mais otimistas. No mercado interno, as expectativas são melhores, já que a crise econômica deve obrigar grande parcela dos consumidores a substituírem carnes de maior valor, como a bovina e a suína, pelo frango. Um dos principais fatores que preocupa o setor em neste ano é o aumento nos custos de produção, já que o milho e a soja, principais componentes das rações, devem manter cotações elevadas ao longo do ano.

As exportações do boi gordo devem permanecer em alta em 2021. Os preços apresentaram variação média de 20,7% entre dezembro de 2019 e dezembro de 2020.

O ano passado foi de fraco desempenho da produção nacional de leite, marcado pelo crescimento das importações e pelos preços dos lácteos e aos produtores acima dos pagos 2019.

Hortaliças

A colheita da safra catarinense de alho 2021 foi concluída. Em função dos problemas climáticos ocorridos no período de desenvolvimento da cultura, o percentual de bulbos de baixo calibre é alto, acarretando perda de valor comercial do produto. 2020 foi ano com maior volume de alho importado desde 2017, com 193,51 mil toneladas.

A safra catarinense de cebola 2021 está na fase final da colheita. O mercado se mantém aquecido e com boas perspectivas para os produtores. Apesar dos problemas climáticos ocorridos durante o período de desenvolvimento, a produção apresenta bulbos de muito boa sanidade, o que permitirá aos produtores armazenar o produto e comercializar com tranquilidade, observando o mercado que está com oferta bem ajustada e favorável aos produtores.