Agroindústria em Xanxerê garante renda e sucessão familiar no meio rural

O número de agroindústrias não para de crescer em Santa Catarina. Esse tipo de empreendimento gera muito mais do que renda às famílias de agricultores. Fomos até Xanxerê para conhecer a história da família Batistella.

Dona Neiva adquiriu experiência no processamento de alimentos quando trabalhava em uma cozinha de uma escola, no meio rural. Sem deixar de trabalhar na escola, ela começou a produzir conservas com o excedente da produção do seu quintal. Com a ajuda da Epagri e o recurso do Programa SC Rural, a família aumentou a diversidade de produtos e adequou a estrutura e equipamentos às normas sanitárias. Hoje, dona Neiva produz conservas, panificados e geleias. Teve que deixar a escola e se dedica apenas à agroindústria.

“Antes de ter toda a estrutura, eu vendia meus produtos no mercado da cooperativa. Também vendia para os amigos, pessoas conhecidas. Eu colocava os produtos no porta-malas do carro e oferecia às amigas. Vendia bem, mas a renda era bem menor do que é agora” – conta Dona Neiva.

A Epagri participa de todas as etapas de produção. Desde o plantio dos alimentos à campo, passando pela viabilização do projeto da estrutura física, até a comercialização dos produtos. “Nós atendemos a família Batistella há um certo tempo e identificamos que eles têm uma vocação para processar alimentos. Por meio do Programa SC Rural, que foi um grande impulsionador, trabalhamos a estruturação da unidade para que eles pudessem viabilizar seus produtos de uma maneira que atenda aos padrões sanitários, exigidos pela vigilância sanitária” – explica Dulce Censi, extensionista social do Escritório Municipal da Epagri de Xanxerê.

Para viabilizar a construção da agroindústria, optou-se por paredes de isopainel, material que permite rápida instalação, limpeza facilitada e é mais econômico, com custo em torno de 15 a 20% menor em relação a alvenaria. O isopainel consiste de 2 chapas metálicas paralelas, unidas por um isolante de isopor. É um material bastante usado na construção de câmaras frias, salas de manipulação de alimentos, medicamentos, laticínios e outros. “As paredes são laváveis e já vêm com um padrão dentro da exigência da vigilância sanitária. Além dessa característica, esse material possibilita uma facilidade de mobilização. Se precisarmos desmontar uma parede, tira-se os rebites, desmonta a parede, muda a sala de local e remonta novamente. Sem quebrar parede, sem fazer poeira.” – comenta Dulce.

Além de comercializar seus produtos na cooperativa e feiras da cidade, a família participa do Programa Nacional de Alimentação Escolar, o PNAE, que estimula a inserção de produtos da agricultura familiar na merenda dos estudantes. Dona Neiva comemora: “A gente vende pra merenda escolar toda a semana. É muito bom pois é uma renda mensal garantida”.

Outro motivo de alegria para a família é que uma das filhas do casal está cursando engenharia de alimentos e tem planos de, futuramente, tocar a empresa. “Minha filha escolheu esse curso já pensando no futuro, porque precisamos desse profissional. E como nós já estamos dentro do ramo, quem vai tocar a empresa daqui a pouco será ela”

Ao ser questionada se valeu a pena o investimento, dona Neiva diz que hoje ela se pergunta por que não teve essa ideia há mais tempo.

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