Costa de Santa Catarina registra super maré no início de julho

Exatamente 24 horas após o “Grande Eclipse Lunar Sul-Americano” da última quarta-feira (3), a população do Litoral Catarinense se deparou com outro fenômeno natural extraordinário. Trata-se de uma super maré, ou “king tide”, termo usado pelos cientistas australianos e americanos para designar as maiores marés do ano. A proximidade com a ocorrência do eclipse não é por acaso. Perfeitamente alinhados, sol e lua potencializaram a força da gravidade exercida sobre os oceanos. O efeito se fez sentir em todos os mares do mundo, especialmente no hemisfério Sul.

E as “forçantes” da maré não pararam por aí. Na terça-feira (2), a lua entrou na fase de lua nova, que, assim como a lua cheia, amplia regularmente o efeito das marés. Esses dois elementos, eclipse e lua nova, já indicavam uma maré especial para os dias 3 a 7 de julho.

Mas foi  um terceiro elemento que potencializou a altura máxima do nível do mar na quinta-feira (4). Conforme os meteorologistas, no dia anterior o Litoral Sul brasileiro passou a sofrer a influência de um ciclone extratropical originado entre a costa da Argentina. O ciclone originou ventos do quadrante Sul de forte intensidade e persistentes, que no Brasil produzem um “empilhamento” da camada superficial do mar na costa.

Ao meio-dia de quinta-feira (4), o nível do mar em Florianópolis se encontrava em 80,5 cm (base DHN – Marinha do Brasil). A previsão (tábua da maré) indicava um nível máximo de 99 cm para as 16 horas. Às 15h55, o marégrafo da Epagri/Ciram no Sul da Ilha registrou 163,5cm. “Silenciosamente, as forças conjuntas do sol, da lua, e o vento Sul ‘empurraram’ o nível do mar 64cm acima do nível máximo previsto”, conta Matias Boll, pesquisador da Epagri/Ciram. Ruas encheram, estacionamentos alagaram e ranchos de pesca foram inundados.

No parque municipal de Coqueiros,  por volta das 16h30, trabalhadores montavam as estruturas para receber um público aproximado de 5 mil pessoas num evento, quando o local ficou completamente alagado. Balneário Camboriú, Itajaí e Joinville também registraram alagamentos. Em Joinville, a maré subiu 153,3cm entre o meio dia e as 17h30, chegando a 257,4 cm. Em Balneário Camboriú, as águas subiram exatamente 100,3cm entre meio-dia e 15h45, chegando a 175,3 cm.

A Epagri/Ciram dispõe de um setor dedicado ao monitoramento costeiro de Santa Catarina, que inclui a mais completa rede maregráfica dos estados brasileiros. Ao longo de cinco anos, foram instalados, calibrados e mantidos um total de 11 estações maregráficas entre Passo de Torres, na divisa com o Rio Grande do Sul, e Itapoá, na divisa com o Paraná. Essas estações apresentam a previsão e o nível do mar medido a cada 15 minutos em tempo real para qualquer dispositivo no planeta. “Em oito anos de monitoramento do mar em Florianópolis, o nível do mar registrado na tarde de 4 de julho de 2019 foi a segunda maior marca que registramos, perdendo apenas para outubro de 2016, quando foi registrado um nível do mar de 176,8 cm na Caieira da Barra do Sul, em Florianópolis”, informa Matias.

Acompanhe o nível do mar na costa catarinense em tempo real neste link:

http://ciram.epagri.sc.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2440&Itemid=753#

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