Milho Catarina: a opinião de quem planta

Atenta às necessidades dos agricultores familiares, a pesquisa da Epagri investe no desenvolvimento de milhos variedade de polinização aberta. Elas permitem que o agricultor guarde sua própria semente, diminuindo assim os custos de produção. Pensando nisso, o Centro de Pesquisa para a Agricultura Familiar da Epagri, o CEPAF, desenvolveu a variedade de milho Catarina.

Nossa equipe de reportagem foi até o município de São Domingos, no Oeste do estado, para ouvir a opinião de quem mais entende de milho: os agricultores.

José Arnildo e Juraci dos Santos utilizam o milho Catarina para a alimentação dos animais. Na pequena propriedade, eles criam aves, suínos e gado. “Para nós, essa variedade aprovou. É um milho que produz bastante e a espiga é sempre cheinha. Além do mais, nós conseguimos guardar a semente para utilizar na próxima safra” – comenta José.

O extensionista da Epagri do município, João Henrique de Souza Duarte, explica que a lavoura do Seu José e da Dona Juraci é de nível tecnológico bastante simples. Não foi feita calagem, nem feita aplicação de agrotóxicos, tampouco colocado adubo. Foi feita apenas uma aplicação em cobertura de ureia. A média da colheita fica em torno de 90 sacos por hectare, o que pode parecer uma produção baixa, mas João explica que a quantidade colhida não é pouco não:  “Se formos contar que ele não teve custo de aquisição com sementes, não teve custo com agroquímicos e que ele consegue estocar a produção na propriedade, o lucro aumenta”. Outro ponto importante é que a família pode deixar o milho na roça e ir colhendo aos poucos, na medida em que sinta necessidade.

Na propriedade do Vinicius Detofol, o milho Catarina é usado para a produção de silagem. A estimativa de produção é de 150 sacos por hectare. “Na silagem ele rendeu muito, é um pé alto que enraíza bastante. A gente tinha medo, por ter plantado “no tarde”, e pelo relevo ondulado, que os pés de milho viessem a cair. Mas não aconteceu. O milho está de pé, ele se ajusta bem no chão. Não foi usado nada de enraizador, é o milho mesmo. E depois ele dá uma espiga alta. Bem feito mesmo.” – comemora Vinicius.

Outra característica da variedade, observada por João, é o empalhamento desse milho, ou seja, a quantidade de palha presente no pé. “Na extremidade das espigas quase não tem grãos ardidos pois a palha serve de proteção e não deixa entrar água dentro da espiga. Então esse é um milho que aguenta na lavoura sem estragar” – conta João.

A lavoura do milho Catarina custa cerca de 30% a menos que uma lavoura normal porque o valor da semente é a metade do valor dos milhos do mercado. E não é necessário aplicar produtos para controle de pragas. É um milho mais resistente.

Dona Juraci dá a dica para quem quer economizar: “Pra quem quer poupar, ter uma renda melhor, é assim que tem que fazer: produzir sua própria semente. Esse é o milho do pequeno agricultor”.

Confira essa e outras reportagens no canal de vídeos da Epagri.

 

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