Dia de campo mostra o potencial da pera no Sul do Brasil

A Estação Experimental da Epagri de São Joaquim reuniu pesquisadores, extensionistas, técnicos, direção técnica da Epagri e fruticultores de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul para mostrar os resultados de pesquisas a campo e de pós-colheita de peras produzidas no Sul do Brasil. As informações foram repassadas a 42 participantes em um dia de campo na Estação, no dia 29 de janeiro.

O gerente da Estação Experimental de São Joaquim, Marcelo Cruz de Liz, lembra que a pera é uma fruta muito apreciada e aceita pelo consumidor brasileiro, por isso importante para o Brasil. “Ela é a terceira fruta de clima temperado mais consumida no país. Contudo, cerca de 95% do consumo nacional é importado, a um custo de US$ 210 milhões de dólares anuais, com importações de até 217 mil toneladas para atender a demanda do mercado brasileiro no ano”. Por isso ele salienta a importância da participação das instituições de pesquisa, extensão, empresas privadas e ligadas  ao setor, para que juntos fortaleçam o cultivo com pesquisa aplicada, assistência técnica e difusão dos resultados e implantação de novos pomares para desenvolvimento da   cadeia produtiva.

No evento os pesquisadores José Massanori e Mariuccia Schlichting de Martin mostraram os dados e as informações de pesquisa sobre a cultura da pera europeia, principalmente a cv. Rocha, uma pera portuguesa e uma das mais  importadas pelo Brasil que demonstrou uma boa adaptação às condições climáticas da região.

Potencial produtivo – Os dados apresentados pelo pesquisador Massanori mostraram a produção da cv. Rocha em três densidades: 6250, 3125 e 2083 plantas por hectare, sobre os portas-enxerto de marmelo Adam´s e BA-29.  Na safra 2017/2018 atingiu produtividades de 47,3 a 81,7 t/há, conforme a densidade. Os tratos culturais foram realizados conforme as recomendações técnicas preconizadas, se diferenciando com a poda após floração   e sem uso de fito-reguladores  para aumento do fruit set. “As áreas  têm mantido a produção de maneira regular e de forma satisfatória ao longo dos últimos anos”, relata o pesquisador.

Também foi demonstrado o plantio da cv. Rocha com suas polinizadoras cvs. Santa Maria e Packam´s Triumph, que se mostraram muito importantes para o sucesso produtivo do pomar, plantadas sobre porta enxerto BA-29. O plantio foi realizado no ano de 2010 na densidade de 2,5 mil plantas por ha. A produção iniciou na safra 2013/14 com produtividade de 3,3 t/ha na cv. Rocha, chegando na safra atual com estimativa de produtividade  de 28,0 t/ha na cv. Rocha, 22,5 na cv Santa Maria e 14 na cv. Packam´s Triumph, com tratos culturais  e tratamentos fitossanitários normais semelhante a outra área.

Cuidados pós-colheita – A pesquisadora Mariuccia comentou sobre a importância da pera para o Brasil, o potencial da cv. Rocha e os cuidados na pré e pós-colheita, bem como seu potencial de armazenamento. “A pera Rocha apresenta diversas características promissoras, como boa adaptação nas condições climáticas em algumas regiões do Sul Brasil, bom preço de mercado, boa adaptação comercial e elevada qualidade nutricional. Além disso, ela tem alta capacidade de armazenagem, tolerando até seis meses refrigerada e até nove meses em atmosfera controlada. O ponto de colheita é fundamental para a qualidade dos frutos após o armazenamento, uma vez que colhidos muito maduros podem desenvolver diversos problemas após a armazenagem”, diz a pesquisadora.

Ela também explicou que a fruta, quando destinada à comercialização imediata, pode ser colhida em estádio de maturação mais avançado e ser submetida a tratamentos para indução do amadurecimento e desenvolver textura apropriada para o consumo. “Cuidados pós-colheita são fundamentais, pois a composição mineral também influencia a capacidade de armazenamento. Por ser mais sensível que a maçã a danos mecânicos, a pera exige ainda maior cuidado para minimizar as perdas pós-colheita e melhorar a aparência dos frutos”.

No evento as áreas foram observadas a campo pelos participantes, que puderam ver a produção, a qualidade dos frutos e o desenvolvimento  das plantas  e questionar sobre o manejo, o potencial produtivo, o mercado e as  perspectivas da cultura para região do Sul do Brasil e fortalecer a ideia de que a cultura pode ser mais uma boa alternativa para diversificar a fruticultura para região e parte do Sul do Brasil.

Atualmente a área plantada no Brasil é de cerca 1,7 mil hectares, com produção de aproximadamente 22 mil toneladas. Santa Catarina é o segundo estado em produção de pera, com 6,9 mil toneladas, numa área plantada de 390 ha. Tanto a produção quanto o plantio encontram-se estáveis no país nos últimos anos.

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