Sigatoka Negra PDF Imprimir E-mail
Seg, 02 de Fevereiro de 2009 11:47

Sigatoka negra representa séria ameaça à bananicultura catarinense

Sigatoka negra, causada pelo fungo Mycosphaerella fijiensis Morelet, forma perfeita da fase anamórfica Paracercospora fijiensis Deighton, foi inicialmente descrita em 1963 em Sigatoka, nas Ilhas Fiji, Pacífico. Disseminou-se pela Ásia, África e, posteriormente, em 1972, a doença foi verificada pela primeira vez na América Central provocando sérias epidemias em Honduras. Atualmente está disseminada por toda a América Central e na América do Sul. Os primeiros registros da doença no Brasil ocorreram em 1998 no Estado do Amazonas.

No ano seguinte, foi detectada no Mato Grosso e, posteriormente, nos Estados do Acre, Amapá, Pará, Rondônia e Roraima. Em junho de 2004 foram descobertos focos da sigatoka negra no Estado de São Paulo e, mais recentemente, em agosto foram oficializados focos em Mato Grosso do Sul e no Paraná.

A sigatoka negra é uma praga geralmente muito mais agressiva e destrutiva que a sigatoka amarela. Os primeiros sintomas da sigatoka negra são pontuações minúsculas, cor marrom-avermelhada, medindo 0,25mm de diâmetro, que se apresentam na superfície inferior das folhas jovens, as quais evoluem para estrias que podem chegar a 2 x 20mm, com eixo longitudinal paralelo às nervuras secundárias, sendo vistas apenas neste lado das folhas. No segundo estágio, as manchas negras apresentam um halo levemente amarelado com o centro deprimido e a borda encharcada.

No último estágio, cada mancha possui uma borda negra bem definida, circundada por um halo amarelo, e o centro torna-se seco e de cor cinza. Nas folhas onde ocorre a coalescência dessas manchas podem surgir extensas áreas destruídas pela necrose dos tecidos. Em cultivares suscetíveis, quando não há controle, toda a área foliar da bananeira pode ser destruída antes mesmo da engorda do cacho.

O desenvolvimento dos sintomas e a disseminação do fungo são fortemente influenciados por fatores climáticos. A sigatoka negra é estimulada sob condições de alta umidade (chuvas freqüentes e orvalho) e temperaturas na faixa de 24 a 30oC. Os principais agentes de disseminação são o vento, a chuva e partes vegetais doentes, sendo este último de grande importância no Brasil, atualmente.

Em Santa Catarina é importante aplicar as seguintes medidas de prevenção no controle da sigatoka negra: não adquirir frutos, mudas ou qualquer parte de bananeira procedentes dos Estados onde a doença se encontra estabelecida; toda carga procedente de Estados onde não ocorra a doença deve estar acompanhada da permissão de trânsito vegetal (PT); não utilizar folhas de bananeira para acondicionamento de qualquer produto vegetal; utilizar caixas e materiais descartáveis para o acondicionamento dos frutos destinados ou que passem pelos Estados com ocorrência da praga; destruir todos os materiais utilizados para acondicionamento das bananas no destino da carga; proceder à desinfestação ou higienização de caixas plásticas.

Métodos de controle cultural, químico e genético podem ser aplicados no controle da doença. Os principais métodos culturais são: manejo da água, eliminação de folhas velhas doentes, espaçamento adequado, desbaste, manejo das plantas indesejáveis e adubação equilibrada. Para a maioria das cultivares plantadas deve-se optar pelo controle químico, que consiste na aplicação combinada de óleo mineral, emulsificante, fungicidas e água.

São recomendados os seguintes princípios ativos de fungicidas: triazóis, estrobirulinas, triadimenol e ditiocarbamatos. Quando utilizados em conjunto com sistemas de monitoramento, estima-se que o número de aplicações anuais possa ser reduzido de 25-40 para 10-12. O controle genético, através de cultivares resistentes, é o único método viável para pequenos pomares. Os genótipos recomendados para Santa Catarina, como o híbrido FHIA 1 e a cultivar Thap Maeo, são resistentes à sigatoka negra.

Estas cultivares apresentam bom desempenho agronômico e produzem frutos saborosos, entretanto, faz-se necessário um trabalho de divulgação para melhorar sua aceitação comercial. Ressalta-se que a única forma possível de convivência com esta doença será pela organização de toda a comunidade para a erradicação de touceiras e bananais de cultivares suscetíveis abandonados; substituição de bananeiras suscetíveis de pequenos pomares por cultivares resistentes; e a introdução de um eficiente sistema de previsão nas áreas de produção comercial com cultivares suscetíveis.


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