Pecuária

INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS PARA ENTENDER A PLANILHA DE CUSTO DE PRODUÇÃO

O custo de produção é um instrumento importante no gerenciamento da atividade leiteira. Através da análise do custo de produção pode-se identificar os pontos fortes e as deficiências em termos de resultados técnicos e econômicos, podendo agir diretamente, a qualquer momento, para a solução dos problemas apresentados pela atividade leiteira.

A planilha de custo de produção da atividade leiteira apresentada no final deste documento, traz informações técnicas e econômicas de propriedades rurais da região de Tubarão, acompanhadas durante o ano agrícola, compreendido pelo período de 01 de julho a 30 de junho de cada ano (o número de propriedades acompanhadas está identificado em cada planilha).

A planilha de custo é gerada a partir do agrupamento dos dados das propriedades acompanhadas, sendo que as 25% melhores propriedades, em termos de LUCRO/LITRO de leite, fazem parte do Grupo CABEÇA, os 25% piores resultados, fazem parte do Grupo COLA e o Grupo MÉDIA é composto por 100% das propriedades. Os resultados chamados de CABEÇA, MÉDIA e COLA são obtidos a partir da média aritimética dos indicadores das propriedades que fazem parte de cada Grupo.

Para que a propriedade faça parte da COMPARAÇÃO DE GRUPO, ou seja, para que seus dados sejam “misturados” às propriedades, precisamos analisar, individualmente, alguns aspectos da estrutura das propriedades, como: área de terra total e utilizada, capital com máquinas, equipamentos e construções, mão-de-obra disponível, preço recebido pelo litro do leite, número de vacas, raça, índices técnicos e econômicos apresentados pela atividade, disponibilidade de pastagens e a qualidade das informações prestadas pela família do produtor rural, dentre outros.

ENTENDENDO ALGUNS TERMOS USADOS NA PLANILHA DE CUSTO DE PRODUÇÃO DA ATIVIDADE LEITEIRA

1- PREÇO do litro de leite – é o preço médio recebido por um litro de leite pelos produtores, em valores nominais, já descontado o frete.

2- CUSTOS VARIÁVEIS por litro de leite – são todos os gastos feitos para produzir um litro de leite com Alimentos Concentrados (rações diversas, farelo de trigo, farelo de soja, minerais, etc.), com Alimentos Volumosos (sementes de pastagem de inverno e de verão, manutenção de cercas, adubação, calagem e manutenção de pastagens, produção da silagem, etc), Sanidade animal (medicamentos preventivos e curativos), Outros Custos (produtos químicos utilizados na assepsia das máquinas, equipamentos, animais e sala de ordenha, inseminação artificial, eletricidade, manutenção de máquinas e equipamentos e benfeitorias usadas diretamente na produção de leite, registros animais, taxas diversas, etc.), durante o ano agrícola.

Os custos variáveis aumentam ou diminuem de acordo com a variação do plantel e, conseqüentemente, conforme a variação da quantidade de leite produzida.

3- CUSTOS FIXOS por litro de leite – somente identificamos como custos fixos, os custos com a depreciação e os custos de oportunidade (mão-de-obra familiar e juro sobre o capital), por entender que todos os gastos regulares desembolsados no ano agrícola para a gestão da atividade leiteira, se constituem custos variáveis.

3a- Depreciação – considera-se também, como custo fixo real, mesmo não havendo desembolso, a depreciação das máquinas, dos equipamentos e das construções.

3b- Custos fixos de oportunidade – são aqueles em que não há desembolso, mas eles estão presentes, no dia a dia, da propriedade, tais como: a mão-de-obra familiar e o juro sobre o capital total (fixo e giro). Estes custos devem sempre ser considerados, pois ninguém trabalha “de graça”, e a terra, as máquinas, os equipamentos, as construções e o dinheiro desembolsado, durante o ano agrícola, precisam ser remunerados, já que também “prestaram um serviço” para a atividade leiteira.

Caso estes fatores não sejam remunerados adequadamente, haverá a “chamada” descapitalização da propriedade rural, onde as máquinas, os equipamentos e as construções vão se acabando e o produtor não terá recursos financeiros para recuperá-los ou substituí-los.

4- CUSTO TOTAL por litro de leite – é a soma dos custos variáveis e os custos fixos, para produzir um litro de leite.

5- LUCRO por litro de leite – é a diferença entre o preço de venda e os custos totais (custos variáveis+custos fixos), para produzir um litro de leite.

6- REMUNERAÇÃO da mão-de-obra-familiar – é a remuneração mensal gerada pela atividade leiteira a cada membro da família que trabalha, integralmente, na atividade leiteira.

7- DISPONÍVEL por litro de leite – é a diferença entre o preço de venda e todos os custos desembolsados. Não inclui aqui os custos de oportunidade e nem os custos com depreciação. Este indicador expressa o resultado financeiro da produção leiteira por litro de leite.

8- RENDA BRUTA por vaca – é toda a renda e receita proveniente da produção do leite e da carne, considerando ainda, a variação positiva ou negativa do inventário de animais.

9- CUSTO VARIÁVEL por vaca – são todos os desembolsos realizados durante o período com alimentação, sanidade, produção de silagem e outros gastos indispensáveis ao processo produtivo. Na análise dos indicadores de despesas por vaca, os custos variáveis são destinados integralmente à atividade leiteira (leite+carne).

10- MARGEM BRUTA por vaca – é a diferença entre a renda bruta da atividade leiteira (leite+carne) e os custos variáveis totais. É o que sobra para pagar os custos fixos.

11- CUSTO FIXO por vaca – o entendimento deste custo segue o mesmo princípio do custo fixo por litro de leite descrito acima, no item 3, só que, neste caso, todos os gastos e custos são destinados integralmente à atividade, já que também a renda bruta por vaca, contempla a renda oriunda do leite e da carne.

12- CUSTO TOTAL por vaca – é a soma dos custos variáveis e os custos fixos por vaca necessários a produção de leite e carne durante o período.

13- LUCRO por vaca – é a diferença entre a renda bruta por vaca e os custos totais por vaca (leite+carne).

14- NÚMERO de vacas – é o número médio de vacas presentes na propriedade a cada mês, durante o ano agrícola.

15- ÁREA Total de SFP (ha) – é chamada Superfície Forrageira Principal à área de terra, com uso principal (primeiro uso), destinada à atividade leiteira durante o ano agrícola. Compõem esta área, as pastagens perenes e anuais de verão e de inverno, bem como, o milho e ou sorgo utilizados para a silagem, além da cana-de-açúcar e das capineiras.

16- ÁREA de PPV (ha) – é a área de terra com Pastagem Perene e anual de Verão, incluindo todas as pastagens, as capineiras, a cana-de-açúcar, o milheto e demais volumosos plantados e destinados aos bovinos, durante o ano agrícola, em seu primeiro uso.

17- LEITE por vaca / ano (litros) – indica a produção média de leite, em litros por vaca, durante o ano agrícola (período de doze meses). Este indicador é obtido dividindo-se a produção total de leite, pelo número médio anual de vacas.

18- LEITE por ha de pasto (litros) – representa a produção total de leite, em litros, durante o ano agrícola, dividida pela área de SFP (superfície forrageira principal) disponível ao rebanho bovino da propriedade.

19- LEITE total do ano – expressa a produção total de leite, em litros, do ano agrícola. Incluem também nesta produção, o leite do consumo familiar, o leite fornecido as bezerras (os), mais o leite comercializado.

20- LITROS de leite por UTH – indica a quantidade diária de litros de leite ordenhado por pessoa que trabalha na atividade. Dá um indicativo da produtividade da mão-de-obra utilizada na atividade. Obtém-se este índice, dividindo-se a produção total de leite do período, pelo total dos dias de trabalho utilizados para a produção leiteira, durante o ano agrícola. Calcula-se os dias de trabalho destinados a produção de leite, multiplicando-se o número de unidade trabalho homem (UTH) por 365 dias do ano. Uma das metas do curso profissionalizante de gado leiteiro era a de alcançar 150 litros de leite por pessoa/dia.

21- CONCENTRADO – gramas por litro de leite – obtém-se este indicador dividindo-se o volume físico total de alimentos concentrados (como o milho, soja, farelos em geral, mineral, suplementos, sal comum, etc) utilizados na atividade leiteira, pela produção total de litros de leite do período. Aqui não separamos o concentrado destinado à criação das novilhas, bem como ocasionais fornecimentos a outras categorias animais presentes na propriedade. Esta possível limitação de avaliação deste indicador é minimizada, quando analisamos os custos variáveis e fixos, por litro de leite, já que os valores destes custos são proporcionais ao percentual da participação do leite e da carne na renda bruta da atividade leiteira.

22- CONCENTRADO – custo por kg – Obtém-se este indicador dividindo-se o valor total gasto com alimentos concentrados, em valores nominais (adquiridos ou de produção própria), pelo volume físico total deste concentrado destinado à atividade leiteira, durante o ano agrícola.

23- UTH – unidade de trabalho homem. É o trabalho realizado por uma pessoa (15 a 65 anos), durante 300 dias por ano e 8 horas por dia. Para podermos calcular e analisar o rendimento da mão-de-obra familiar precisamos saber quanto tempo cada pessoa trabalha por dia na atividade leiteira, durante o ano agrícola.

24- UA vacas / UA total em % – este índice informa a quantidade de vacas em relação ao total do plantel, em termos de unidade animal (UA). Obtém-se este indicador transformando o peso total do plantel e das vacas em unidade animal, isto é dividindo-se estes por 450 kg (1 UA= 450 kg). Depois de feito isto se divide o número de UAs vacas, pelo número de UAs das outras categorias animais e multiplica-se por 100 (cem). O desejável, na atividade leiteira, é que este índice seja alto, aproximando-se de 1 (um). Neste caso, a propriedade está mais voltada à produção de leite, do que a recria de animais.

25- PARTO por vaca/ano em % – expressa o percentual de nascimentos de bezerras (os) durante o período. Obtém-se este índice, dividindo-se o número de nascimentos do ano, pelo número médio de vacas, multiplicando-se por 100 (cem).

26- UA por ha de SFP – indica a carga animal média que a propriedade está utilizando por hectare de área de superfície forrageira principal. Obtêm-se este índice, dividindo-se o número médio anual de unidades animais pela área de superfície forrageira principal utilizada pela atividade leiteira.

27- UA por ha de PPV – este indicador informa a densidade de lotação animal somente nas áreas de pastagens perenes e anuais de verão, de uso principal, que são destinadas ao pastoreio dos bovinos. Não incluímos no cálculo deste indicador as áreas utilizadas para a produção de silagem. Das propriedades acompanhadas, quase na sua totalidade, a área utilizada para o cálculo deste indicador é formada somente por pastagens perenes de verão, incluindo as capineiras para corte e a cana-de-açúcar.

28- PASTAGEM DE INVERNO por UA (m2) – é a área de pastagem anual de inverno implantada como cultura solteira ou em consórcio com a pastagem perene de verão, expressa em metros quadrados por unidade animal. Este indicador é obtido dividindo-se a área total de pastagem de inverno (uso principal e adicional) pelo número médio anual de unidades animais. É corrente o uso da pastagem de inverno somente em área adicional, seja após o plantio de forrageiras para a silagem ou em sobressemeadura na pastagem perene de verão.

29- SILAGEM – kg por UA – Obtém-se este valor dividindo-se a produção total de silagem, em quilogramas, pelo número médio de unidades animais alimentados durante o período. Aqui também, não se separa a quantidade de silagem fornecida aos animais em produção, daquelas outras categorias existentes na propriedade. Na análise financeira e econômica da atividade leiteira, os valores imputados ao produto leite, são proporcionais à participação do leite e da carne na renda bruta da atividade.

30- EFETIVO MÉDIO em UA – representa o peso total médio do rebanho existente na propriedade, durante o ano agrícola, expresso em unidade animal. Obtém-se este valor dividindo-se o peso total médio do rebanho, em quilogramas, por 450 kg, que é a referência para uma unidade animal.

31- CONCENTRADO TOTAL – representa o somatório, expresso em quilos, de todas as rações, farelos, sais minerais, suplementos minerais e demais concentrados proteicos consumidos pelo rebanho bovino, durante o ano agrícola.

COMO É CALCULADO O CUSTO DE OPORTUNIDADE E A DEPRECIAÇÃO NO CUSTO DE PRODUÇÃO

1- MÃO-DE-OBRA FAMILIAR – o salário adotado é o salário mínimo médio. São utilizados 13 salários mínimos anuais (12 salários + o 13º salário). O custo total da mão-de-obra familiar é o salário mínimo médio anual, multiplicado pelo número de Unidades de Trabalho Homem.

2- JUROS SOBRE O CAPITAL – utilizamos o índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, que é de 6% a.a..

Somam-se todo o capital atual da propriedade com terra, máquinas, equipamentos, animais, construções e o capital de giro de um mês gasto com a produção leiteira e multiplica-se por 6%.

3- DEPRECIAÇÃO – é o desgaste, a perda de valor das máquinas, equipamentos e construções pelo tempo ou pelo seu uso.

Como nós, seres humanos, todos os bens utilizados na atividade leiteira, também têm um tempo de vida útil. Neste período de vida útil, a atividade leiteira deve gerar renda suficiente para pagá-los. Normalmente, o custo da depreciação é o valor do bem, dividido pelo tempo de vida útil deste bem.

OBSERVAÇÃO MUITO IMPORTANTE 1 – LUCRO por litro de leite

No cálculo dos custos e receitas com o LEITE, somente são computadas as movimentações referentes ao produto Leite. NÃO SE CONSIDERA, para cálculo do LUCRO por litro de leite, as despesas, custos, rendas e receitas referentes à produção da CARNE.

OBSERVAÇÃO MUITO IMPORTANTE 2 – LUCRO por Vaca

No cálculo do LUCRO POR VACA são computadas as movimentações de rendas, receitas, despesas e custos referentes aos produtos LEITE E CARNE.

TABELAS DO CUSTO DE PRODUÇÃO

Custo de Produção – anos 1996 à 2010

 

AVALIAÇÃO SUCINTA DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO DA ATIVIDADE LEITEIRA
Administrar está muito mais relacionado com a arte do que com a ciência propriamente dita. Também se diz que administrar depende de talento. Na verdade a administração está mais relacionada à disciplina e ao treinamento. Mesmo a liderança pode ser desenvolvida pelas pessoas que normalmente não seriam propriamente classificadas como líderes, os chamados líderes natos. A grande polêmica que existe quanto à metodologia dos cálculos dos custos referem-se ao rateio da renda oriunda das vendas dos animais no cálculo final dos custos de leite e do uso dos custos de oportunidades.
Enquanto algumas correntes defendem que a conta deve ser feita com base na realidade econômica, o que aumenta o valor apurado nos cálculos, outros preconizam que alguns itens deveriam ser suprimidos, entre os quais a remuneração do capital investido, a remuneração da terra ou os custos de oportunidade. Quando se contabilizam estes custos, recomenda-se o uso de taxas de juros em torno de 3 a 6%, abaixo dos juros que se paga no mercado. Evidente que calculando o que se dá o nome de custos econômicos de produção os valores apurados serão mais elevados.
No caso do leite, especialmente em regiões com valor de terra elevado, o cálculo econômico levará fatalmente a propriedade à condição de prejuízo. É com base nessa constatação que muitos têm se levantado contra a completa padronização da metodologia de cálculo, pois os números levariam o pecuarista ao “desânimo”. Como se a realidade fosse mudar caso as metodologias fossem mais suaves no cálculo.
Quando se argumenta que a agricultura tem que ser considerada à parte, pois há algumas particularidades únicas, como por exemplo, o valor da terra, o que justificaria uma supressão de dados, esquece-se que a produção agrícola e pecuária é atividade de alto risco, dada a importante dependência de fatores do meio ambiente.
Observe as planilhas de custos de empresas urbanas que mexem com atividades de risco, como a construção civil. Para construir um prédio, evidente que se considera e cobra-se a possibilidade de acidente. Na agricultura subtraem-se alguns custos para que o “produtor não leve prejuízo”.
Porém, deixando de lado discussões filosóficas, o cálculo completo dos custos possibilita algumas análises das condições da propriedade, conforme pode ser observado:
-  Se a receita da propriedade cobre os custos totais, com cálculo completo, têm-se uma empresa estável e crescendo, podendo investir. A noção exata dos custos totais possibilita uma avaliação criteriosa dos próximos investimentos.
- Quando a receita cobre apenas os custos operacionais (variáveis mais os fixos) e parte dos custos totais, a atividade se mantém, mas não remunera o capital e tende a não se sustentar por muito tempo. Ocorre a sobrevivência, mas não há crescimento, não há capacidade de investir em longo prazo e, no futuro, a atividade pode não ser a opção mais atraente para a próxima geração.Neste caso, o conhecimento dos custos totais pode não ser suficiente para a tomada de decisão eficaz, mas o produtor sabe que haverá um problema futuro ao invés de acreditar que a atividade está sendo lucrativa.
- Quando a receita é menor que o custo operacional, porém superior às despesas, a atividade está cobrindo todos os custos variáveis (despesas de giro) e somente parte do operacional fixo (depreciações).Nesta situação o empreendimento tende a se sustentar apenas em curto prazo. É um processo de descapitalização, o que tem sido muito comum na atividade leiteira.
  •  Se a receita é igual às despesas, a atividade cobre apenas o custeio com recursos variáveis, tendendo a mudar de ramo se a situação assim permanecer.
  • Se a receita for menor que as despesas, a empresa tem que buscar recursos de outras fontes, o que se trata de subsídio.
A decisão, em curto prazo, pode até não ser tão diferente, conhecendo ou não os custos totais, mas em longo prazo é uma informação extremamente importante. O cálculo deve seguir os mesmos critérios que são utilizados por outros setores, pois a agropecuária é uma atividade empresarial para gerar lucros, como deve ser qualquer empresa. É um contra-senso falar para o produtor ser profissional em tudo, mas na hora de fazer contas deixar de lado alguns itens.
Vale ressaltar que o importante não é a forma do cálculo, mas sim as decisões que serão tomadas em cima do custo determinado. Não se recomenda que se calcule os custos econômicos simplesmente para vender a propriedade porque ela não dá retorno econômico.Cada caso é um caso e as decisões serão baseadas em outros fatores que não só a rentabilidade do negócio. Porém, negligenciar a metodologia de cálculo de custos é procurar motivos para se enganar.
A decisão final é sempre do produtor e não da metodologia.

 

Trabalho produzido por:
Adilson Dalponte. [Economista, Especialista em Administração Rural]
e-mail: adilson@epagri.sc.gov.br

Epagri – Gerência Regional de Tubarão