Arroz

Paddy Rice in Santa Catarina versao_Eng

Histórico da produção de arroz irrigado

Colheita_de_arroz_Tiroleses_Timbo_1915

Foto – Colheita do arroz, Timbó,1915

O arroz irrigado em Santa Catarina é cultivado em aproximadamente 149.000 hectares, distribuído em cinco regiões distintas por suas condições geográficas e edafoclimáticas: Alto, Médio e Baixo Vale do Itajaí, Litoral Norte e região Sul de Santa Catarina.

A orizicultura catarinense é conduzido em 100% da área no sistema conhecido como pré-germinado, no qual a semeadura é efetuada em lâmina de água, com sementes pré-germinadas. Santa Catarina detém um dos maiores índice de produtividade do Brasil, 7,1 t/ha.

No Alto Vale do Itajaí encontram-se as áreas onde os produtores alcançam rendimentos próximos à 15 t/ha em um único cultivo, em lavouras comerciais. As condições edafoclimáticas das regiões do Médio e Baixo Vale e Litoral Norte não permitem tão altos rendimentos em um único cultivo, entretanto, permitem que se faça o cultivo do rebrote, ou cultivo da soca do arroz e, com isso os produtores podem alcançar rendimentos de 10 a 12 t/ha em uma única safra.

Os rendimentos da segunda colheita variam entre 2 a 5 t/ha. Neste sistema são cultivados aproximadamente 30 mil hectares. As principais cultivares atualmente em uso no Estado são: Epagri 108, Epagri 109, SCS 112, SCSBRS Tio Taka e SCS 114 Andosan, todas de ciclo longo, alta capacidade produtiva, resistência ao acamamento, elevado rendimento de engenho, grãos longo-finos e adequados à parboilização e beneficiamento como arroz branco. Todas as cultivares desenvolvidas na Epagri são adaptadas ao sistema pré-germinado.

As cultivares de arroz da Epagri são cultivadas também nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Ceará, Piauí, Mato Grosso do Sul, Pará, Maranhão, Roraima, Tocantins, além dos países vizinhos como Paraguai, Bolívia, Argentina e Venezuela.

Recentemente produtores de Portugal vêm importando sementes de algumas cultivares catarinenses para produção em larga escala naquele país. A produção de sementes é efetuada através de 28 produtores de sementes no sistema pré-germinado. A qualidade da semente catarinense, é reconhecidamente de alta pureza, devido aos rígidos critérios de padrão.

Em nenhuma das classes de sementes (básica ou certificada) é permitida a presença de grãos de arroz-vermelho ou preto. A utilização de cultivares com elevada capacidade produtiva, semente de alta qualidade, manejo da fertilidade, manejo de plantas invasoras e pragas, têm sido os principais responsáveis pela evolução da orizicultura catarinense, tanto no contínuo acréscimo em produtividade como na qualidade da semente.

Em 1977 a área de cultivo era de 72 mil hectares, o rendimento e produção eram de 2,9 t/ha e 209 mil toneladas, respectivamente. Passados vinte anos (1997/98) houve um aumento de 1,4 vezes a área cultivada, enquanto que a produtividade duplicou, resultando em um incremento de 3,6 vezes na produção estadual.

Comparando-se o ano de instalação do sistema de pesquisa orizícola de Santa Catarina em 1977 até o ano agrícola atual (2005/06), observa-se que houve uma duplicação na área plantada, enquanto que a produtividade aumentou 2,5 vezes e a produção estadual cresceu 4,8 vezes.

O principal produto da agroindústria catarinense de arroz é o parboilizado, o qual é comercializado, principalmente nos estados do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e estados do Nordeste brasileiro. O consumo de arroz beneficiado pelos catarinenses é em torno de 250 mil toneladas anuais, representando apenas 25% da quantidade total produzida.

A modernização do parque industrial catarinense, aliada à produção das novas cultivares lançadas pela Epagri de alto rendimento industrial, permitiram à indústria obter arroz branco e, parboilizado de cor mais clara, grãos maiores e uniformes, possibilitando desta forma ao produto catarinense competir com vantagens no mercado nacional.

Atualmente em Santa Catarina existem 54 indústrias de beneficiamento de arroz associadas ao Sindarroz–SC e 16 pequenos engenhos não associados, que funcionam apenas nos meses de safra. A capacidade de beneficiamento é de 1,4 milhões de toneladas de arroz em casca, das quais um milhão é produzida no Estado e 400 mil toneladas são adquiridas principalmente do Rio Grande do Sul.

Neste jogo comercial, apesar de importar, também são exportadas para outros estados, diretamente pelos produtores, ou pelos industriais, 180 mil toneladas de arroz em casca. Apesar do exemplar desempenho da lavoura orizícola catarinense, ainda persistem algumas demandas do sistema produtivo como a redução dos riscos de impacto ambiental, o desenvolvimento de cultivares mais eficientes e o desenvolvimento de tecnologias mais limpas, as quais certamente permitirão melhorar a sustentabilidade da produção de arroz irrigado em Santa Catarina.

Para que estes objetivos sejam alcançados, é fundamental a participação de todos os componentes da cadeia produtiva do arroz, incluindo a pesquisa, a transferência de tecnologias, e, principalmente os produtores. A Epagri como membro participante e responsável pela pesquisa no estado, mantém seus objetivos em desenvolver e recomendar aos agricultores tecnologias que contribuam para a melhoria da competitividade do arroz catarinense, com ênfase na melhoria da produtividade, qualidade, redução nos custos de produção e minimização do impacto ambiental negativo.