Epagri de Itajaí apresenta benefícios do policultivo de plantas

Aipim consorciado com milho e melancia, onde o ataque da mosca-do-broto foi de apenas 13%

Aipim consorciado com milho e melancia, onde o ataque da mosca-do-broto foi de apenas 13%

O cultivo de diferentes plantas na mesma área, conhecido como policultivo, não é uma prática nova – apenas foi deixado de lado pela maioria dos agricultores em busca de produtividades maiores. Mas analisando essa técnica mais de perto, é possível descobrir que a diversidade de plantas no mesmo espaço traz uma série de benefícios ambientais e econômicos – que podem ser maiores até que no monocultivo.

A equipe do Escritório Municipal da Epagri de Itajaí, com ajuda dos entomologistas da Empresa Erica Pereira e Ildelbrando Nora, fez uma descoberta interessante sobre os benefícios do policultivo. Eles estão monitorando o ataque da mosca-do-broto-do-aipim em duas propriedades rurais de Itajaí e constataram que, onde o produtor Osmar Marqui consorciava o aipim com feijão ou com milho e melancia, o ataque da mosca era bem menos severo.

Na mesma propriedade, o nível de ataque da mosca em áreas de monocultivo foi de 70%. Onde o aipim estava consorciado com feijão, alcançou 53%; e onde o produtor consorciou aipim com melancia e milho, o ataque caiu para 13%.

Mas os benefícios não estão apenas na redução dos ataques da mosca. “Como a área onde o produtor cultiva está sujeita a alagamentos periódicos, ele retira de lá plantas com ciclo mais rápido, como o milho, a melancia e o feijão, com excelente rendimento”, explica o engenheiro-agrônomo Antônio Henrique dos Santos, da Epagri de Itajaí.

Outro benefício são as micorrizas, fungos benéficos às plantas que ajudam na absorção de fósforo e água. Elas usualmente estão presentes no aipim e são favorecidas quando a planta é consorciada com milho ou adubos verdes.

dia de campo itajai policultivoPara apresentar esses resultados, a Epagri promoveu um dia de campo no dia 2 de fevereiro com a participação de produtores rurais de diferentes comunidades de Itajaí. Embora os resultados sejam animadores, o trabalho ainda não está concluído. “A equipe de Itajaí, juntamente com os pesquisadores, vem acompanhando o produtor, que ainda irá colher o aipim, para que finalmente possa comparar os resultados e divulgá-los aos interessados”, diz Antônio.