Lucro e tecnologia até debaixo d’água

piscicultura bx1Santa Catarina é o quinto maior produtor de peixes cultivados do País, com uma produção de cerca de 43 mil toneladas em 2015, embora algumas características do Estado, como clima e relevo, não sejam as ideais para essa prática. Essa realidade comprova que o uso das tecnologias difundidas pela Epagri é fundamental para o desenvolvimento da atividade no território catarinense.

O Sul do Estado tornou-se, em 2016, líder catarinense em produção de peixes de água doce. Esse é um dos resultados do trabalho que a Epagri desenvolve na região desde a década de 1980. Em 2016, a Empresa priorizou na região a formação de jovens, a capacitação de produtores e a implantação de Unidades de Referência Técnica. Além disso, apostou em trabalhos pontuais para fomentar o consumo de pratos à base de peixes, como cursos, oficinas e concursos gastronômicos.

Todo esse esforço tem uma motivação: o mercado crescente para o produto. Em 2015, o Brasil exportou 40 mil toneladas de pescado e importou 757 mil toneladas. Esses dados revelam o potencial de crescimento interno que o País ainda possui. A expectativa da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) é de que até 2025 o Brasil dobre a produção de pescados derivados da aquicultura e chegue a 1.145 mil toneladas. Paralelamente, o consumo nacional de pescado, que é de 9,6kg per capita ao ano, deve chegar a 12,7kg em 2025.

A piscicultura continental na região de Tubarão vem se consolidando como uma importante fonte de renda ao produtor, que vê na atividade uma oportunidade de produzir uma proteína animal de ótima qualidade a baixo custo. Pequenos açudes, cultivos integrados e sistemas extensivos de produção, que há pouco tempo eram comuns e visavam suprir basicamente a família rural, passaram a ficar em segundo plano. Os produtores começam a se especializar e garantir uma renda complementar na propriedade.

piscicultura bx 2Terapia que garante o sustento

Nilto Michels, do município de Armazém, já cultivou fumo, mas foi na lida com os animais que ele encontrou a verdadeira satisfação com a vida rural. Começou a produzir leite e, em 2003, apostou na criação de tilápias para diversificar a renda. Acertou em cheio. Hoje as duas atividades garantem o sustento dele, da esposa e do filho de 23 anos, que não pretende deixar a vida de agricultor. Ainda sobra para custear a faculdade de Engenharia Civil da filha.

A propriedade da família Michels tem 15 hectares, 2,8 deles alagados com seis tanques de tilápias. Em 2016, produziu 50 toneladas do peixe, entregues a frigoríficos da região a R$4,80 o quilo, em média. Hoje, com a produção estruturada e tecnificada, Nilto consegue produzir cada quilo a um custo que varia entre R$2,80 e R$3,00. Em 2016, a produção de peixes deu lucro de R$44.800,00, o que se aproxima do valor que ele lucrou com leite: R$53 mil.

Mas todo esse sucesso é resultado de anos de empenho e investimentos, que ele calcula que tenham alcançado os R$100 mil. As orientações repassadas pela Epagri nas atividades de extensão rural e no curso que o filho frequentou foram importantes para racionalizar investimentos e aumentar a produtividade.

Para 2017, Nilto já se impôs um desafio: elevar a produção de tilápias para 80 mil toneladas. Tudo isso exercendo uma atividade que lhe dá mais do que prazer. “É até uma terapia ver os peixes ali nadando”, diz o piscicultor com a simpatia característica de quem está de bem com a vida.

Confira esta e outras histórias de sucesso no Balanço Social da Epagri.