Eleição para diretor completa 20 anos na Epagri

Diretoria de 1998: Zanatta é o segundo da direita para a esquerda

Diretoria em 1998: Zanatta é o segundo da direita para a esquerda

A Diretoria Executiva da Epagri (DEX) tem em seu quadro um diretor eleito de forma direta pelos empregados desde 1997.  Ela foi a primeira a implantar essa prática, que passou a ser obrigatória nas empresas públicas catarinenses a partir da lei 1.178, de dezembro de 1994, que prevê no mínimo um representante dos empregados nas diretorias e nos conselhos de administração.

O primeiro diretor eleito foi o pesquisador da Estação Experimental de Lages, João Cláudio Zanatta, que tinha como suplente a extensionista Márcia Mortari, já falecida. “A importância dessa representatividade é comprovada pelas conquistas dos empregados, a exemplo do nosso plano de carreira, que é uma luta dos trabalhadores”, afirma o presidente Luiz Ademir Hessmann.

Mas a luta por essa representatividade começou anos antes. A aposentada Maria Esther Pons, que na década de 1990 participou da fundação da Faper (Federação das Associações dos Funcionários da Pesquisa e Extensão Rural de SC) e era presidente dessa entidade quando ocorreu a primeira eleição para diretor, explica que a recente criação da Epagri, em 1991, por meio da fusão de quatro instituições ligadas à pesquisa e à extensão rural, mobilizou um grupo para tentar organizar a Empresa e a reivindicação por um diretor eleito surgiu dos empregados durante essa ação.

Segundo Esther, a Epagri precisava começar do zero, pois não tinha ainda definida sua missão. Os funcionários estavam com dificuldades para se adaptar às mudanças, pois vinham de empresas distintas, com horários de expedientes diferentes, salários diferentes, espaço físico diferente. “A Faper foi criada para ser a voz dos empregados em todo o Estado. A federação foi parceira da Diretoria Executiva na construção do diagnóstico da Empresa, por meio de seminários regionais. Nessas reuniões surgiu a ideia de se ter um diretor eleito que representasse os empregados. A diretoria da Epagri da época levou a reivindicação ao governador”, lembra Esther.

Desde que foi implantada, a eleição para diretor e conselheiro de administração ficou sob organização da Faper, como está previsto na lei. Esther acredita que muitas empresas públicas catarinenses, por não contar com entidades representativas como a Faper, não implantaram as eleições logo após a publicação da lei, a exemplo da Epagri.

Cenário da época

A primeira eleição na Epagri aconteceu em 1995, mas apenas para o Conselho de Administração, quando foi eleito o engenheiro-agrônomo de Palhoça, Carlos Eurico Augusto Germer, já aposentado. “Tenho orgulho de fazer parte dessa história. Foi um período de empoderamento dos empregados”, afirma Germer. Segundo Adolfo Nunes Corrêa, presidente da Epagri na época, o processo eleitoral daquele ano foi marcado por um momento de transição. “Era praxe a Acaresc escolher por voto os ocupantes dos cargos gerenciais. Mas a eleição para diretor inicialmente não foi bem aceita por todos”, lembra Adolfo. Ele acredita que foi importante escolher um conselheiro para que o assunto fosse melhor discutido no âmbito do Conselho de Administração.

E foi desta forma que o processo eleitoral de 1997 incluiu o cargo de diretor, para o qual Zanatta foi eleito já no primeiro turno, com 55% dos votos. A eleição teve participação expressiva: mais de 81% dos empregados. O apoio da DEX se deu por meio da nomeação do então chefe de gabinete, pesquisador aposentado Zenório Pianna, para assumir por alguns meses a diretoria e assim articular as eleições junto com a Faper. “Era comum chegarem à chefia de gabinete as reivindicações dos empregados. Acumular as duas funções foi fundamental para colaborar com o processo eleitoral e atender as demandas dos funcionários”, explica Pianna.

Zanatta era membro da diretoria do Sindaspi (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Assessoramento, Perícia, Pesquisa e Informações de Santa Catarina) e nas eleições para diretor da Epagri levantou as mesmas bandeiras do sindicado, com destaque para a implantação do código de ética e valores da Empresa e do Plano de Carreira que unificasse as funções na recém-criada Epagri. Ambos os documentos foram aprovados em 1998.

Para o presidente da Epagri da época, deputado federal Rogério Mendonça (Peninha), a eleição foi uma conquista histórica. “Há 20 anos foi preciso mudar a tradição da escolha de lideranças dentro das organizações governamentais em Santa Catarina. Eu tenho muito orgulho de dizer, inclusive, que durante a minha gestão tivemos inúmeras conquistas, dentre elas a criação do Plano de Cargos e Salários”, afirma.

Cenário atual

Passados 20 anos, a Epagri está no 11º mandato de diretor eleito, cargo atualmente ocupado pelo pesquisador Ivan Luiz Zilli Bacic, reeleito este ano. Ele está fazendo um resgate dessa história, que será publicada nos meios de comunicação internos da Empresa. “Os relatos de cada ex-diretor com certeza vão mostrar a importância dessa representação e as conquistas que beneficiaram os empregados, muitas vezes desconhecidas”, ressalta Bacic.

As eleições para diretor e conselheiro são bienais e a partir de 2017 passaram a cumprir não apenas a lei estadual de 1994, mas também a lei federal 13.303/16, conhecida como a Lei das Estatais. Ela prevê requisitos e vedações para todos os diretores e membros do conselho de administração, eleitos pelos empregados ou indicados pelo governo, como por exemplo tempo mínimo de experiência profissional e formação acadêmica compatível com a área, dentre outros.