Entregue documentação que pede Indicação Geográfica do Queijo Artesanal Serrano

QAS entrega doc 2Agricultores, técnicos da Epagri e autoridades de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul se reuniram no dia 4 de agosto, em Lages, para a entrega oficial do dossiê que embasa o pedido de Indicação Geográfica (IG) para o Queijo Artesanal Serrano. A entrega foi feita durante seminário realizado sobre o tema, que também contou com palestras e degustação do produto.

O dossiê, preparado pela Epagri e outras instituições, reúne a documentação necessária para avaliação do Instituto Nacional de da Propriedade Industrial (INPI), que é órgão que decide pela concessão ou não da IG. A Indicação Geográfica é uma forma de valorização do produto de uma região ou território, cuja procedência adquiriu notoriedade em decorrência do modo de fazer, das características ambientais locais e outros fatores. O champanhe é um exemplo clássico.

A IG do Queijo Artesanal Serrano está sendo solicitada na modalidade de Denominação de Origem (DO). Caso seja concedida pelo INPI, essa será a primeira certificação em DO para queijos do Brasil.

A Federação das Associações de Produtores de Queijo Artesanal Serrano de SC e RS (Faproqas) é a instituição que demandou a obtenção da certificação. Todo o processo de solicitação da IG foi coordenado pela Epagri – através de sua Gerência Regional e Estação Experimental de Lages – e Emater Rio Grande do Sul. Participaram também produtores e suas entidades representativas, além de diversas instituições. O trabalho teve apoio financeiro e técnico do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

A região geográfica delimitada como produtora do QAS, denominada Campos de Cima da Serra, compreende 18 municípios da Serra Catarinense e 16 da região nordeste de altitude do RS, totalizando 34 mil km2. São aproximadamente 3,5 mil pecuaristas familiares que produzem o queijo, utilizando somente leite da propriedade.

Luiz Carlos Córdova, presidente da Faproqas e produtor de queijo, destacou o dia da entrega da documentação como “muito especial”. “Vamos agregar valor no nosso produto, ter a nossa região reconhecida no país todo, isso pra nós é muito importante, avalia. João Miranda, o Jango, de Painel, também produz queijo, ofício que aprendeu com a mãe e que deu continuidade ao se casar com uma produtora, em 1975. “Eu e minha esposa criamos quatro filhos e a nossa moeda de troca pra fazer compra no armazém sempre foi o queijo”, relata ele, que é vice-presidente da Associação de Produtores de Queijo Serrano da Serra Catarinense (Aprossera). “Nós vemos esse dia de hoje como um dia de vitória”, resume.

QAS entrega doc 1O presidente da Epagri, Luiz Ademir Hessmann (foto), lembrou, durante a solenidade de entrega da documentação, que esse é o resultado de um trabalho que vem sendo desenvolvido há pelo menos 15 anos pela Epagri, em parceria com agricultores e outras instituições. Ele fez questão de destacar também a premiação que a Epagri recebeu, em junho, no II Concurso de Buenas Prácticas en Agricultura Familiar, durante a Primeira Conferência da Agricultura Familiar, realizada em Olmué, no Chile. A Empresa ficou com a primeira colocação na categoria Associativismo para Crescer por ter fomentado a fundação das entidades que hoje reúnem produtores de Queijo Artesanal Serrano e que demandaram a busca pela IG.